09/06/2026
O Brasil criou 85.888 empregos formais em abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Apesar do saldo positivo, o resultado ficou bem abaixo das projeções do mercado financeiro e marcou o pior desempenho do ano até agora.
O resultado de abril foi resultado de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O saldo representa a diferença entre 2,26 milhões de admissões e 2,18 milhões de desligamentos registrados no mês.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, abril registrou o menor saldo mensal de geração de empregos formais em 2026.
Na comparação com abril do ano passado, a desaceleração foi expressiva. O volume de vagas criadas caiu mais de 60% em relação ao mesmo período de 2025.
Analistas apontam que os juros elevados, o crédito mais caro e a perda gradual de ritmo da atividade econômica começam a impactar diretamente o mercado de trabalho formal.
O setor de Serviços foi o principal responsável pela abertura de vagas no mês, com saldo positivo de aproximadamente 69 mil postos de trabalho.
Também tiveram desempenho positivo, a construção civil, seguido da indústria e parte das atividades ligadas à saúde e transporte.
Por outro lado, Comércio e Agropecuária registraram mais demissões do que contratações em abril.
No comércio, especialistas relacionam a queda ao aumento do endividamento das famílias e à desaceleração do consumo. Já na agropecuária, o resultado negativo foi influenciado pelo encerramento de safras temporárias.
Economistas avaliam que os números do Caged reforçam os sinais de desaceleração gradual da economia brasileira em 2026.
Embora o mercado de trabalho continue positivo no acumulado do ano, o ritmo de criação de vagas perdeu força nos últimos meses.
Entre janeiro e abril, o país acumula cerca de 699 mil empregos formais criados, volume inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
A leitura predominante entre analistas é que os efeitos da política monetária restritiva começam a atingir setores mais dependentes de crédito, consumo e investimentos.
Ao mesmo tempo em que a geração de empregos formais perdeu força, o país registrou avanço expressivo na formalização de microempreendedores individuais (MEIs). Dados recentes do Sebrae, com base em informações da Receita Federal, mostram que os MEIs responderam por 78% das novas empresas abertas entre janeiro e abril de 2026. Especialistas avaliam que o movimento reflete a busca de trabalhadores por alternativas de renda diante da desaceleração nas contratações com carteira assinada, impulsionando setores como entregas, transporte, serviços digitais e atividades autônomas.
O resultado abaixo do esperado também aumenta a atenção de empresários e profissionais de contabilidade sobre o comportamento da economia no segundo semestre.
Setores ligados ao varejo, consumo e serviços operacionais podem sentir maior dificuldade para contratação caso a desaceleração econômica se intensifique nos próximos meses.
Mesmo assim, especialistas ressaltam que o saldo ainda permanece positivo e que o mercado de trabalho brasileiro segue relativamente resiliente diante do cenário de juros elevados e desaceleração global.
Fonte: Contábeis
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